Ontem, no “Self-Service” , o sinal em neon anunciava “Open”. Em seguida fui ao “Shopping”, na vitrine estava escrito “For Sale”.
Na lanchonete me deparei com a placa “Fast Food” e com a seta que dizia “Drive-Thru”. Na pizzaria, o aviso indicava “Delivery”.Por ter boa fluência na língua inglesa compreendo estas expressões naturalmente, mas nunca me conformei com esta mania, em especial, das franquias de multinacionais que nos impõem o idioma inglês.
Será que não basta esta invasão de palavras e termos em inglês que a informática nos proporciona? : “Hard disk”, “Drive”, “Winchester”, “Site”, “Web”, “Floppy disk”, “Mouse” e tantos outros nomes. Outro dia fui em um restaurante , no cardápio veio a surpresa, tudo estava escrito em inglês e em francês. Desejava pedir um filé. Na rol de escolha dos pratos estava o “Filet à petit pois”. Petit, sabia que era pequeno, “pois”, nem imaginava.
A primeira atitude foi um constrangimento por não saber o idioma. Lembrei das aulas de francês no ginasial do Colégio Marista Cearense, do professor Monsieur Rosset Hebert. O pior que não me senti a vontade de perguntar ao garçom como era o prato, e para minha desilusão o filé veio coberto de ervilhas. Nunca gostei de ervilhas, prefiro feijão verde.
Outro dia, estava em um treinamento de serviço quando o instrutor se pronunciou da seguinte forma: “ – Após o “Coffee-break” faremos um “link” (palavra inglesa, significa conexão, ligação) entre os temas abordados para “estatar” (aportuguesando o vocábulo em inglês, “ Start”) um processo de internalização dos conceitos apresentados.
Inspirado nestes fatos, sou autor do projeto de lei que ora tramita na Câmara Municipal de Fortaleza, que obriga em nosso município o uso da língua portuguesa nos cardápios de restaurantes, nos avisos escritos, nas propagandas e nos banheiros de todos os estabelecimentos Fica permitido o uso simultâneo do português e do idioma estrangeiro.
O projeto tem amparo na Constituição Federal, e visa despertar na sociedade um debate em defesa da língua portuguesa. Os idiomas estão em constantes mudanças, principalmente, neste mundo globalizado. A cada dia incorpora-se à língua gírias e expressões idiomáticas, mas não podemos nos quedar a massificação de termos estrangeiros que não encontram guarida na nossa linguagem popular e são palavras totalmente desconhecidas da população. Brasil é com “s” e não com “z” como querem os norte-americanos.
Francisco Caminha
Vereador pelo PHS